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Arthur Alencar Spuri é aluno do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Farias Brito, em Fortaleza. Aos 16 anos, conquistou a primeira colocação geral da 9ª Olimpíada Internacional de Economia (IEO), realizada em Shenzhen, na China.
Arthur somou 199,469 pontos. O resultado colocou o brasileiro à frente de mais de 260 competidores de países como Estados Unidos, China, Japão, Suíça, Hong Kong e Singapura. Assim, tornou-se o primeiro sul-americano a liderar a classificação geral individual da competição.
O resultado interessa a pais e educadores que acompanham o desempenho de estudantes brasileiros em disputas acadêmicas internacionais. Ele mostra também um caminho de preparação que foge do modelo tradicional de estudo por livros e aulas expositivas, além de se somar a uma trajetória do Brasil que já rendeu ao país o título de nação mais premiada da história da Olimpíada Internacional de Economia.
[Veja também nossa matéria sobre como preparar seu filho para olimpíadas científicas e sobre o papel dos pais no incentivo aos estudos]
A Olimpíada Internacional de Economia foi criada em 2018, em Moscou, com o apoio do economista Eric Maskin, vencedor do Prêmio Nobel. A primeira edição reuniu 13 países. Desde então, mais de 60 nações já participaram da competição. Em 2026, a olimpíada recebeu 54 delegações e cerca de 300 estudantes. O Conselho Consultivo da olimpíada conta ainda com os economistas Daron Acemoglu, também premiado com o Nobel, e Gregory Mankiw, o que reforça o peso acadêmico da competição no cenário internacional de olimpíadas científicas voltadas ao ensino médio.
A prova reúne três etapas: um exame individual de economia, um exame individual de finanças e o Business Case, etapa coletiva em que as equipes desenvolvem soluções para um problema econômico real. Os 20 melhores colocados no ranking individual recebem medalha de ouro, do 21º ao 50º lugar fica com a prata e do 51º ao 100º com o bronze. Times também recebem troféus de ouro, prata e bronze pelo desempenho conjunto.
Na edição de 2026 da Olimpíada Internacional de Economia, Arthur recebeu medalha de ouro ao lado de outros dois brasileiros, Artur Teixeira e Enzo Tavares. Ele foi o primeiro competidor na história do evento a obter nota máxima nas duas provas individuais e ainda integrou a equipe que alcançou a melhor nota do Business Case entre todas as delegações, com 49,5 pontos em uma escala de 0 a 50, a maior pontuação já registrada nessa etapa da competição.
O Brasil participou de praticamente todas as edições da Olimpíada Internacional de Economia desde a criação da disputa, em 2018, e se tornou o país mais premiado da história da competição. A seleção dos representantes acontece pela Olimpíada Brasileira de Economia (OBECON), criada em 2017, que hoje reúne dezenas de milhares de estudantes por edição.
Na classificação geral por equipes, o Brasil ficou em terceiro lugar na estreia, em 2018, e depois liderou o ranking em 2019, 2020 e 2021. Em 2022 ficou em segundo lugar e, em 2023, voltou ao topo pela quarta vez, conquista que o levou a ser chamado de tetracampeão da olimpíada. Em 2024 a equipe terminou em quarto lugar e, em 2025, na edição realizada em Baku, no Azerbaijão, os brasileiros faturaram o primeiro lugar nas provas de economia e de finanças, além de duas medalhas de prata e duas de bronze.
Segundo a OBECON, o país somava dezenove medalhas de ouro, doze de prata e três de bronze conquistadas por estudantes individuais até 2024. A essa contagem se somaram os resultados de 2025 e agora os três ouros de 2026, o que consolida ainda mais a posição do Brasil como referência mundial na disputa, à frente de países com forte tradição em olimpíadas científicas, como China, Estados Unidos e Rússia.
[leia também sobre a trajetória da OBECON e como funciona a seletiva nacional]
Arthur descreve sua forma de estudar como diferente da maioria dos colegas. Em vez de priorizar livros e aulas, ele resolve provas de edições passadas das olimpíadas que pretende disputar. Começa os simulados mesmo sem dominar todo o conteúdo, identifica os erros e direciona o estudo para os pontos que precisa reforçar, repetindo o processo até conseguir resolver todas as questões.
A rotina incluía dois blocos diários de simulados, de cerca de cinco horas cada, divididos entre manhã e tarde. Essa disciplina se soma a três anos de preparação, iniciada quando o estudante tinha apenas 13 anos.
O interesse de Arthur por olimpíadas surgiu na infância, incentivado pelo pai, Osvaldo Spuri, que trabalha no mercado financeiro. A dinâmica entre os dois transformava a preparação em atividade compartilhada: pai e filho resolviam problemas juntos e tratavam as disputas como um desafio prazeroso, não como obrigação.
Segundo Arthur, essa abordagem mudou sua relação com o estudo. Ele afirma enxergar longas horas de dedicação como algo estimulante, não exaustivo, resultado direto da forma como aprendeu a lidar com a preparação desde cedo.
A vitória na China aconteceu poucos dias depois de outra conquista. Arthur participava da Olimpíada Internacional de Física, em Bucaramanga, na Colômbia, onde ganhou medalha de prata, e precisou embarcar rapidamente para a próxima disputa. Ele soube do resultado da física durante o trajeto de táxi para o aeroporto.
Em setembro, o estudante disputará ainda a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, no Vietnã, ampliando um calendário de competições que já passa por três áreas distintas do conhecimento em um único ano letivo.
Arthur pretende cursar engenharia no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e mira uma carreira ligada ao mercado financeiro, com foco em investimentos quantitativos. Ele afirma querer conciliar essa área com projetos que gerem impacto social positivo.