Khanmigo passa a desenhar diagramas que reagem ao aluno em tempo real

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A Khan Academy anunciou diagramas interativos gerados com o Gemini, do Google, dentro do Khanmigo; no Brasil, o assistente segue em fase de teste, com acesso diferente para professores e para alunos.

A Khan Academy anunciou, em 27 de agosto, uma nova função do Khanmigo, seu assistente educacional de inteligência artificial: diagramas interativos que reagem em tempo real ao que o estudante faz na tela, como arrastar um segmento de reta dentro de um gráfico. O recurso foi desenvolvido com apoio de uma equipe de engenheiros do Google.org e passou a rodar sobre os modelos Gemini, do Google, chegando às escolas americanas a tempo do início do ano letivo de 2026.

No Brasil, onde o Khanmigo está em uso desde 2024, a organização não confirmou se, ou quando, essa função específica vai chegar aos alunos brasileiros. O país tem hoje dois acessos distintos ao assistente: um gratuito, em português, voltado só a professores, e um piloto com alunos, restrito a uma única regional de ensino do Paraná.

O que muda no Khanmigo

Até agora, quando um estudante pedia ajuda ao Khanmigo em matemática ou ciências, a resposta vinha em texto. A novidade é que o assistente passou a identificar o momento em que uma explicação visual pode facilitar a compreensão e, nesses casos, gera um diagrama interativo em vez de (ou além de) um parágrafo explicativo.

A interação não termina na geração da imagem. Segundo a Khan Academy, se o aluno mover um elemento do diagrama, por exemplo um ponto em um plano cartesiano, o Khanmigo identifica a nova posição e ajusta sua explicação a partir dali. A ideia é aproximar o assistente de uma lousa interativa que responde a cada tentativa do estudante, e não de um texto fixo que precisa ser lido até o fim para fazer sentido.

Paralelamente, o Google também integrou o Gemini à ferramenta “Practice My Knowledge”, voltada a professores. Antes, o Khanmigo já gerava questões de múltipla escolha para prática dos alunos, mas o professor não tinha uma etapa de curadoria: agora, o educador pode revisar, editar e só então liberar as perguntas geradas pela IA, além de acompanhar relatórios sobre o desempenho da turma questão por questão.

O que a Khan Academy diz ter observado, e o que isso não prova

Em comunicado, a organização afirma que os primeiros indícios são positivos: teria notado sinais preliminares de mais engajamento dos alunos e melhora naquilo que chama de “acerto no item seguinte”, ou seja, a chance de o estudante responder corretamente à próxima questão do mesmo assunto, sozinho, na mesma sessão em que usou o diagrama.

É importante separar isso do que costuma ser chamado de evidência científica robusta. Trata-se de um dado interno, preliminar, divulgado pela própria empresa que criou a ferramenta, sem estudo independente publicado até o momento. Não é o mesmo tipo de evidência que, por exemplo, um ensaio clínico randomizado forneceria sobre o impacto do Khan Academy no aprendizado de matemática, um formato de pesquisa que a organização já usou em outras ocasiões para avaliar sua plataforma como um todo, mas que ainda não foi aplicado especificamente a este recurso.

O contexto: uma parceria que começou em janeiro

O lançamento de agosto é parte de uma parceria mais ampla entre Google e Khan Academy, anunciada em 21 de janeiro de 2026, durante a conferência britânica de tecnologia educacional Bett. Naquele momento, o foco era outro: um “Writing Coach” com Gemini para alunos do 7º ao 12º ano nos Estados Unidos, que orienta o processo de escrita de redações, e um “Reading Coach” prometido para o restante do ano, voltado à leitura e à interpretação de texto.

Segundo o Google, a proposta declarada da parceria é que a IA guie o processo de aprendizagem em vez de entregar respostas prontas, um princípio que a empresa relaciona à pesquisa em ciência da aprendizagem conhecida internamente como LearnLM. Fundadores de ambas as organizações reforçaram esse discurso em falas públicas, o que deve ser lido como posicionamento institucional, e não como resultado comprovado de pesquisa.

E no Brasil, o que já está disponível?

O Khanmigo chegou ao Brasil em junho de 2024, então construído sobre o modelo GPT-4 Turbo, da OpenAI, antes da parceria do Google com a Khan Academy. Hoje, dois caminhos de acesso convivem no país, com maturidade bem diferente entre eles.

Para professores, o Khanmigo é gratuito e está disponível em português, sem necessidade de cadastro de escola: basta criar uma conta de educador no site oficial. A ferramenta ajuda a planejar aulas, elaborar avaliações e resumir conteúdos. Alunos não têm acesso direto a essa versão, o uso em sala depende da mediação do professor.

Para alunos, o acesso é mais restrito. A Khan Academy conduziu, a partir de 2024, um piloto em parceria com a Intel voltado a redes públicas, com a meta declarada de disponibilizar cerca de 10 mil licenças até o fim daquele ano. Em 2026, o piloto mais avançado do país está no Núcleo Regional de Educação de Francisco Beltrão, no Paraná, testando uma versão renomeada “Khan Academy Reimaginada”, focada em matemática, com cerca de 170 professores e 12 mil alunos, segundo a Secretaria de Educação do estado. De acordo com o governo paranaense, o lançamento dessa versão para toda a rede estadual está previsto para 2027.

Não há, até a apuração desta matéria, confirmação pública de que o piloto brasileiro já incorpora especificamente os diagramas interativos com Gemini anunciados para os Estados Unidos em agosto. O anúncio da Khan Academy e do Google.org trata do ano letivo americano e não menciona outros países, o que é um ponto em aberto para famílias e escolas que acompanham o programa no Brasil.

O que ainda não se sabe

Ficam sem resposta, por ora, pelo menos três pontos relevantes para quem tem filhos ou alunos no radar do Khanmigo no Brasil: se a versão em português vai herdar os mesmos diagramas interativos usados nos Estados Unidos, em que prazo isso poderia acontecer, e se a expansão do piloto paranaense para toda a rede estadual, prevista para 2027, já viria com esse recurso incorporado. Até lá, o que existe confirmado no país é a ferramenta gratuita para professores, em português, e um piloto de sala de aula ainda restrito a uma única regional do Paraná.

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